domingo, 18 de março de 2012

Introdução aos Estudos da História da África

A história tradicional do Ocidente, limitada por uma visão eurocentrista, quase sempre tratou como não relevante a história de outras regiões. Esse olhar, que tem subordinado e diminuído a importância deoutros povos e que apresenta a Europa como eixo do movimento evolutivo, foi impulsionado desde a antiguidade, época em que a região mediterrânea era definida como centro do mundo. A África, desde então, passou a ser vista como distante, como região dos " homens de faces queimadas ".
Daquele período até o final dos tempos medievais, especialmente com a religiosidade cristã medieval, ganhou impulso a associação da cor negra ao pecado e ao demônio, firmando a visão preconceituosa em relação aos povos africanos.
A idéia da supremacia européia e consequente inferioridade de outra culturas, especialmente as africanas, consolidou-se durante os tempos modernos, quando a Europa passou a centralizar o poder econômico, político e militar mundial.
De forma mais radical, a exemplo do filósofo Hegel (1770-1831), chegou-se mesmo a conceber que a África negra não tinha história. Para Hegel, essa " África propriamente dita " correspondia a região além do Egito e ao sul do Saara, separada, portanto, da África Mediterrânea do norte.
Por séculos prevaleceu a mentalidade de enquadrar os africanos num grau inferior da escala evolutiva, a mesma que classificava os vários povos em avançados e atrasados ou civilizados e primitivos. Comerciantes, conquistadores e teóricos ressaltavam uma suposta selvageria dos povos da África, característica quase sempre relacionado à natureza do continente, fundamentando assim, a crença de que a inferioridade daqueles seria determinada meramente por traços físicos ou biológicos, e não por sua história. Impunham essa versão forçada de que o homem africano era incapaz de produzir cultura e história, quadro que serviu aos escravagistas e também aos imperialistas do século XIX, os mesmos que utilizaram o discurso justificador de " civilizar " a África. Além dos indisfarçáveis interesses de conquistas, exploração e dominação, esse discurso tradicional encobria as diversidades e características próprias dos povos africanos, decorrentes de milênios de sua história. Nesse caso, insere-se até mesmo a insistente utilização de denominações que mais acobertaram suas especificidades, como os termos " africanos " e " europeus ", que " não são sequer conceitos, mesmo ainda em categorias analíticas capazes de definir seus membros, pelo grau de generalização que comportam ".
Dessa forma, é comum, na verdade, mas errôneo, nos referirmos aos africanos como um todo homogêneo, já que, na verdade, o continente africano reúne culturas essencialmente diferentes. O Egito, por exemplo, tem uma cultura muito particular, que não apresenta quase nenhuma relação com a cultura e a história africaca ou afro-brasileira. Então, com que parte da África estamos culturalmente relacionados? Com quais culturas africanas? Essas e outras perguntas e respostas podem ser possíveis a partir de uma reflexão conceitual e não preconceituosa sobre a história da África.

2 comentários:

  1. Parabéns professor, muito boa sua analise sobre a África...

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  2. Fantástica análise , assim analisamos quão o preconceito é forte em nossa sociedade .

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